Um aluno do Instituto Politécnico de Tomar está a ser ‘acusado’ de maltratar e humilhar alunos caloiros durante uma praxe académica. Num vídeo, partilhado no YouTube, o ‘doutor’ surge a gritar e a atirar água aos jovens, enquanto estão agachados com a cabeça no chão.
O vídeo partilhado pelo canal ‘Tomar na Rede’ tem a seguinte legenda: “Várias denúncias anónimas dão conta de praxes abusivas no Instituto Politécnico de Tomar (I.P.T). Num vídeo, a que tivemos acesso, vê-se um ‘doutor’ da área de Contabilidade a humilhar e a maltratar alunos caloiros”.
Num dos momentos do vídeo há, inclusive, uma altura em que o “praxante” questiona alguém que assistia: “Para de gravar. Não estás a gravar, pois não?”
As imagens foram partilhadas no sábado, dia 25 de outubro. A atividade praxística, no entanto, aconteceu na quinta-feira, dia 23 de outubro.
Posteriormente, na terça-feira, dia 28 de outubro, o Magnum Consilium Veteranorum – Thomar fez um comunicado, nas redes sociais, sobre o caso, dando conta de que o “praxante em causa” foi suspenso deste tipo de atividade “por tempo indeterminado, até à realização das devidas provas de aptidão e conduta enquanto elemento ativo da praxe”.
“O Magnum Consillium Veteranorum, enquanto órgão supremo e guardião das tradições académicas do Instituto Politécnico de Tomar, vela de forma diligente e intransigente pelo bem-estar físico, psicológico e moral de todos os seus novos estudantes, os estimados caloiros”, lê-se.
E acrescenta: “No âmbito da atividade designada por praxe, ocorrem, como é sabido, manifestações de júbilo, cânticos e momentos de euforia que, em momento algum, colocam em causa a integridade ou dignidade dos participantes. Cumpre referir que todas as nossas práticas e cerimónias possuem um legado de mais de três décadas de existência, pautando-se sempre pelo respeito e pela integração dos novos membros na comunidade académica”.
O Magnum Consilium Veteranorum refere ainda que “participa na praxe apenas quem, por vontade própria, almeja um dia perpetuar estas tradições e encontra genuíno prazer em integrar as dinâmicas que dela fazem parte”.
“Na passada quinta-feira, durante o período da tarde, procedeu-se à retirada de caloiros de um espaço onde decorriam aulas, com o único propósito de não perturbar o regular funcionamento das mesmas. Já em local isolado, realizou-se uma praxe, na qual foram proferidas palavras em decibéis altos e batizados os caloiros com água e unicamente água, símbolo de purificação“, continua.
Posteriormente, foi ouvido “o caloiro do M.C.V. que conduziu a referida praxe”, em Assembleia Magna, “com o intuito de apurar se teria ocorrido qualquer ato suscetível de ser interpretado como ofensivo ou desrespeitoso”. “Foram igualmente ouvidos todos os caloiros que participaram na atividade, assegurando-se assim a total transparência do processo”.
O órgão da praxe no I.P.T. salienta ainda que, “após análise minuciosa e ponderada dos testemunhos recolhidos”, concluiu-se “que todos os intervenientes demonstram plena vontade de prosseguir na vivência académica e nas atividades da praxe”.
“Acreditamos firmemente que estes caloiros serão, no próximo ano, dignos portadores do Traje Mazantino, dando continuidade às tradições de integração, confraternização e apresentação da cidade e dos costumes do I.P.T”, nota o comunicado.
No entanto, “e em respeito pelos princípios de responsabilidade e exemplaridade, o M.C.V. deliberou suspender temporariamente o praxante em causa, por tempo indeterminado, até à realização das devidas provas de aptidão e conduta enquanto elemento ativo da praxe“.
“A decisão relativa ao levantamento da suspensão ou à exclusão definitiva do referido estudante será oportunamente comunicada pelo Magnum Consillium Veteranorum, conforme os resultados das avaliações realizadas“, concluiu.
O Notícias ao Minuto contactou o Magnum Consilium Veteranorum – Thomar por forma a perceber se há já uma decisão quanto ao sucedido.
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