O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) endereçou uma carta ao Congresso norte-americano, no sábado, na qual concedeu uma explicação para as partes ocultadas nos ficheiros associados ao predador sexual Jeffrey Epstein, avançou o Politico.
A missiva de seis páginas foi enviada aos líderes das comissões de Justiça do Senado e da Câmara dos Representantes, no âmbito de um pedido realizado ao abrigo da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
“Em conformidade com a lei, o Departamento, em consulta com os advogados das vítimas e diretamente com as vítimas, envolveu-se num extenso processo para identificar e redigir partes segregáveis dos registos que contenham informações pessoais identificáveis das vítimas ou dos ficheiros pessoais e médicos das vítimas e ficheiros semelhantes cuja divulgação constituiria uma invasão claramente injustificada da privacidade pessoal; retratem ou contenham materiais de abuso sexual infantil; […] comprometeriam uma investigação federal ativa ou um processo judicial em curso; […] retratam ou contêm imagens de morte, abuso físico ou lesões”, explanou o organismo.
Incluídos na carta estavam ainda os nomes de “todos os funcionários governamentais e pessoas politicamente expostas” mencionados pelo menos uma vez nos arquivos.
“Os nomes aparecem nos arquivos divulgados ao abrigo da lei numa ampla variedade de contextos. Por exemplo, algumas pessoas mantiveram contacto direto por e-mail com Epstein ou [Ghislaine] Maxwell, enquanto outras são mencionadas apenas numa parte de um documento (incluindo recortes de imprensa) que, à primeira vista, não tem relação com os assuntos envolvendo Epstein e Maxwell”, lê-se.
JUST IN: DOJ sends Hill a letter purporting to fulfill requirement in Epstein Files Transparency Act for an explanation of all redactions from released files. The six-page letter is a lot less detailed than 1 would get in run-of-the-mill #FOIA case. Doc: https://t.co/5PT7HWgJ0N
— Josh Gerstein (@joshgerstein) February 15, 2026
No que diz respeito ao panorama político norte-americano, encontram-se nomes como Donald Trump, atual presidente do país, assim como o da mulher, Melania, e da filha, Ivanka. Joe Biden e a família – Jill, a mulher, e os filhos, Hunter e Ashley – também são mencionados, além de Barack e Michelle Obama. George W. Bush, Bill, Hillary e Ashley Clinton, Kamala Harris, Robert F. Kennedy Jr., Mike Pence e Alexandria Ocasio Cortez são algumas das outras personalidades referidas.
Já no plano internacional, abundam membros da família real britânica, entre eles a Rainha Isabel II, o Príncipe Filipe, a Princesa Diana, o Príncipe Harry, Meghan Markle e o então Príncipe André. Theresa May, Margaret Thatcher e Tony Blair, antigos primeiros-ministros do Reino Unido, também constam da missiva, tal como o atual líder do governo, Keir Starmer. Fidel Castro, Jens Stoltenberg e Benjamin Netanyahu são outros dos líderes mencionados, havendo ainda uma referência ao Papa João Paulo II.
No entretenimento, Beyoncé, Cher, Alec Baldwin, Woody Allen, Bono, Kurt Cobain, Mick Jagger, Jay Z, George Clooney, Janis Joplin, Diana Ross, Bruce Springsteen, Amy Schumer, Michael Jackson, Elvis Presley e Marilyn Monroe foram incluídos.
Há ainda referências a empresários como Elon Musk, Jeff Bezos, Bill Gates, Mark Zuckerberg e Stephen Schwarzman.
Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado e um financeiro rico conhecido pelas suas ligações a algumas das pessoas mais influentes do mundo, foi encontrado morto na cela de uma prisão federal em Nova Iorque, com um lençol atado ao pescoço, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual.
Note-se que o DOJ tem vindo a divulgar fotografias, registos de chamadas telefónicas, depoimentos do júri e alguns documentos e registos que já eram do domínio público e que estão relacionados com o abuso sexual de jovens mulheres e menores por Epstein.
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