A socialista Alexandra Leitão comentou a demissão do presidente do Conselho de Administração da Carris, Pedro Bogas, demissão esta que foi apresentada esta quarta-feira presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) reeleito, Carlos Moedas.
“O presidente do Conselho de Administração da Carris teve mais dignidade ao apresentar a sua demissão, compreendendo que era impossível manter-se à frente dos destinos da Carris após o relatório do GPIAAF, do que Carlos Moedas que não percebeu isso”, escreveu Alexandra Leitão numa publicação partilhada na rede social X (antigo Twitter).
“Haja ainda alguém que se comporta com a responsabilidade que os cargos públicos exigem“, rematou Alexandra Leitão, que perdeu nas últimas Autárquicas frente a Moedas.
O presidente do Conselho de Administração da Carris teve mais dignidade ao apresentar a sua demissão, compreendendo que era impossível manter-se à frente dos destinos da Carris após o relatório do GPIAFF, do que Carlos Moedas que não percebeu isso. Haja ainda alguém que se…
— Alexandra Leitão (@Alexandrarfl) October 22, 2025
Note-se que Carlos Moedas reuniu-se com Pedro Bogas esta quarta-feira, tendo depois a CML avançado em comunicado: “Neste encontro foi apresentada a renúncia ao cargo de presidente da Carris, extensível a todos os restantes elementos do Conselho de Administração da empresa”.
A nota continua, referindo que “Carlos Moedas destaca a forma profissional e corajosa com que no momento mais duro do mandato, na sequência do trágico acidente do Elevador da Glória, a 3 de setembro, o atual Conselho de Administração defendeu os interesses da empresa e, apesar de terem colocado o lugar à disposição desde a primeira hora, aceitaram manter-se em funções”.

Presidente da Carris e Conselho de Administração apresentam demissão
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, esteve reunido com o presidente do Conselho de Administração da Carris, Pedro Bogas.
Notícias ao Minuto com Lusa | 16:57 – 22/10/2025
O relatório da GPIAAF: O que dizia?
Em causa está o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários [GPIAAF], conhecido esta semana. São várias as conclusões presentes no documento, que pode consultar aqui na íntegra, mas, entre as várias falhas, está a aquisição e uso de um cabo irregular, que não respeitavam especificações nem estava certificado para transporte de pessoas. Após serem conhecidos os resultados, a Carris remeteu a compra para administração anterior.
O cabo em questão unia as duas cabinas do elevador da Glória e foi este cabo que cedeu no seu ponto de fixação da carruagem descarrilada, que resultou na morte de 16 pessoas, entre portugueses e estrangeiros.
Segundo o relatório, a Carris não detetou este erro de compra, nem o consegui explicar. Foi também referido no documento que os ascensores, como o da Glória e do Lavra, em Lisboa, assim como os elétricos da Carris, estão fora da supervisão do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, estando apenas debaixo da fiscalização da própria empresa gestora.

“Falhas acumuladas” descarrilaram Elevador. Relatório culpa Carris
Já são conhecidos os resultados do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, que indicam, entre outras conclusões, que o cabo instalado não era “o indicado” para o sistema usado no Elevador da Glória.
Ana Teresa Banha com Lusa | 19:21 – 20/10/2025
Como reagiu Carlos Moedas? E o que se segue?
Em reação aos resultados do relatório, Carlos Moedas disse, na segunda-feira, dia em que o documento foi conhecido, que o acidente do elevador da Glória foi derivado a causas técnicas e não políticas.
“Ao contrário da politização que alguns fizeram durante a campanha, este relatório reafirma que a infeliz tragédia do elevador da Glória foi derivada de causas técnicas e não políticas”, referiu Carlos Moedas, numa curta declaração escrita enviada à agência Lusa.
Já esta quarta-feira, foi conhecido que o representante legal da empresa contratada pela Carris para a manutenção do Elevador da Glória vai ser ouvido na quinta-feira. À Lusa, fonte judicial adiantou que o representante legal MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia seria inquirido na qualidade de testemunha pelo Ministério Público, no âmbito do inquérito-crime instaurado após o acidente.
O início da inquirição está agendado para as 09h30 no Campus da Justiça, em Lisboa.
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