Reservas moçambicanas descem em agosto pelo terceiro mês consecutivo

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) moçambicanas voltaram a cair em agosto, pelo terceiro mês consecutivo, para 3.419 milhões de dólares (2.990 milhões de euros), o valor mais baixo num ano, segundo dados do banco central.

 

De acordo com o mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique, consultado hoje pela Lusa, o volume das RIL recuou face aos 3.437 milhões de dólares (3.006 milhões de euros) registados em julho, prolongando a trajetória de queda.

As RIL correspondem a ativos externos em moeda estrangeira detidos pelo banco central e utilizados, entre outros fins, para assegurar pagamentos ao exterior e a cobertura das necessidades de importação da economia moçambicana.

O nível registado em agosto compara com os 4.258 milhões de dólares (3.723 milhões de euros) observados em fevereiro (imediatamente da antecipação do pagamento de um financiamento do FMI), máximo recente da série estatística do banco central, representando uma redução acumulada de cerca de 839 milhões de dólares (733 milhões de euros) em seis meses.

Segundo o relatório do Banco de Moçambique, as reservas internacionais líquidas passaram de 3.464 milhões de dólares (3.006 milhões de euros) em junho para 3.437 milhões de dólares (2.983 milhões de euros) em julho e para 3.419 milhões de dólares (2.968 milhões de euros) em agosto.

O Ministério das Finanças confirmou anteriormente ter efetuado uma “amortização integral e antecipada” de 698,6 milhões de dólares (cerca de 630 milhões de euros) em março, liquidando financiamentos contraídos junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao abrigo do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT), recorrendo às reservas internacionais do país.

O então governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou em maio que a decisão de liquidar antecipadamente a dívida ao FMI não enfraqueceu a posição financeira da instituição.

“O Banco de Moçambique não ficou mais fraco, débil e vulnerável por causa desta decisão. Até diria o contrário”, afirmou então o governador, sustentando que o país continuava a apresentar um nível de reservas “extremamente confortável”.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou na altura como “corajosa” a decisão de liquidar antecipadamente a dívida ao FMI, considerando-a um sinal de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do país.

Apesar do volume das reservas, que cobrem mais de quatro meses das necessidades de importação, os empresários continuam a relatar dificuldades no acesso a moeda estrangeira para essas compras.

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, descreveu anteriormente a escassez de divisas como uma “emergência económica”, alertando para os impactos na importação de matérias-primas e na atividade empresarial.

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Lusa | 14:23 – 03/11/2026

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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