UE investiga voos Líbia-Bielorrússia por suspeita de apoio a imigração ilegal

Os invulgares voos de Minsk, capital bielorrussa, têm sido operados pela companhia aérea estatal Belavia, fazendo a ligação a Benghazi, uma região controlada pelo ‘senhor da guerra’ líbio Khalifa Haftar, que mantém laços estreitos com o Kremlin.

 

“A frequência e a natureza destes voos levantam questões sobre a potencial facilitação de fluxos migratórios irregulares”, disse ao Euractiv um responsável comunitário sob anonimato.

País dividido e com instituições frágeis e fronteiras porosas, a Líbia é um ponto de passagem para milhares de migrantes vindos da África subsaariana, que pretendem chegar à Europa, e as próprias autoridades têm dificuldades em lidar com estes fluxos.

Enquanto o governo da Líbia ocidental tem colaborado com as autoridades europeias — na semana passada a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni reuniu-se com o seu homólogo líbio – as autoridades rebeldes do leste do país mantêm laços com o regime de Vladimir Putin e seus aliados.

Entre janeiro e junho, mais de 27.000 migrantes chegaram a Itália vindos da Líbia, enquanto mais de 7.000 chegaram à ilha grega de Creta — o triplo do número do mesmo período do ano passado.

A situação apresenta contornos semelhante à da crise do verão de 2021, quando as fronteiras leste da Polónia, Lituânia e Letónia enfrentaram a chegada de vagas sucessivas de migrantes africanos, vindos da Bielorrússia.

Os países da UE acusaram a Rússia de estar indiretamente envolvida nesta crise, com o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, a desempenhar um papel central, o de facilitar a emissão de vistos, organizando voos e transportando migrantes do Médio Oriente e de África para Minsk.

Segundo o Euractiv, Bruxelas teme agora que Moscovo possa estar a tentar uma estratégia semelhante via Líbia, usando a migração como arma para semear a divisão dentro do bloco.

A Grécia enfrenta um forte aumento das chegadas de migrantes da Líbia numa altura em que Ancara e Tripoli intensificam a exploração energética perto de Creta — alimentando receios de coerção geopolítica e aumentando as tensões no Mediterrâneo oriental.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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