“Em Gaza, temos 10.500 funcionários, praticamente um mini-exército civil. Acredito que poderíamos ajudá-los a ter sucesso”, afirmou Christian Saunders numa conferência de imprensa após uma reunião ministerial sobre a UNRWA, no âmbito da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU.
O comissário-geral confirmou “contactos” com representantes do Conselho de Paz, e avançou que, quando o Comité Nacional para a Administração de Gaza — governo provisório previsto na resolução do Conselho de Segurança — começar a trabalhar, será necessário apresentar resultados “com relativa rapidez” para “manter a confiança da população”.
“Nós podemos ajudá-los a fazer isso. Se [o governo] vai entrar em Gaza para dirigir uma administração civil, precisa de gerir escolas, centros de saúde, água, saneamento…”, afirmou.
Nesse sentido, defendeu que a agência “tem a experiência e o pessoal no terreno”.
Desde a sua criação, o Conselho de Paz tem mantido uma postura de rejeição explícita da UNRWA, que Israel acusa de apoiar o movimento islamita palestiniano Hamas.
O comissário agradeceu o apoio à agência por parte dos países que anunciaram hoje contribuições adicionais — entre eles França, Espanha e Bélgica —, o que ajuda a reduzir o défice enfrentado pela organização desde que os Estados Unidos congelaram a sua contribuição.
Segundo disse, o défice foi reduzido para cerca de 70 milhões de euros.
“Nas circunstâncias atuais, não esperaria que os EUA apoiassem publicamente a UNRWA em grande escala, mas, se nos dessem espaço para operar, é disso que precisamos”, comentou Saunders.
Apesar do cessar-fogo acordado em outubro de 2025 para Gaza, com base na proposta apresentada pelos Estados Unidos para o futuro do território, os ataques entre Israel e Hamas têm-se mantido.
O Exército israelita anunciou hoje a morte de um comandante do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) envolvido no cativeiro de sete israelitas raptados durante os ataques de 07 de outubro de 2023, que levaram ao ataque israelita contra Gaza. Em comunicado, adiantou que o operacional, identificado como Mahmoud Abdel-Fattah Awad, morreu num bombardeamento no fim de semana contra a cidade de Gaza.
“As tropas das Forças de Defesa de Israel (FDI) continuam posicionadas na área, em conformidade com o acordo, e continuarão a agir para eliminar qualquer ameaça iminente”, acrescentaram.
Segundo a imprensa palestiniana, pelo menos três pessoas morreram hoje na sequência de novos ataques do Exército israelita contra vários pontos da Faixa de Gaza.
O jornal “Filastin” e fontes locais citadas pela agência de notícias palestiniana WAFA afirmaram que as vítimas eram civis. O Exército israelita ainda não se pronunciou sobre estes ataques.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, desde a entrada em vigor do cessar-fogo registaram-se 1.408 mortos e 4.916 feridos. As autoridades de Gaza não distinguem quantas das vítimas são civis e quantas são combatentes.
Também sem fazer esta distinção, as autoridades de Gaza afirmam que desde o início da ofensiva lançada por Israel após os ataques de 07 de outubro de 2023 foram registados 73.928 mortos e 175.030 feridos no enclave palestiniano.
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