“O Vaticano não participará no Conselho de Paz” criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, “devido à sua natureza particular, que obviamente não é a dos outros Estados”, explicou Parolin em declarações aos jornalistas, após uma reunião com o Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, e a primeira-ministra, Giorgia Meloni.
“Tomámos nota de que a Itália participará como (país) observador”, prosseguiu o cardeal, considerando que “há pontos que deixam um pouco perplexos, (…) há alguns pontos críticos que precisariam de explicações”.
“Uma preocupação é que, a nível internacional, seja sobretudo a ONU que gere estas situações de crise”, explicou.
Presidido de forma vitalícia por Trump, o organismo foi inicialmente apresentado como uma das peças-chave para supervisionar o plano de paz para a Faixa de Gaza, mas o tratado fundador da estrutura acabou por revelar um mandato muito mais vasto, ao propor-se a resolver conflitos armados em todo o mundo e apresentando-se como uma organização alternativa às Nações Unidas.
Os membros permanentes do Conselho de Paz devem pagar mil milhões de dólares (cerca de 854 mil milhões de euros) para aderir, o que suscita críticas de que a organização poderia tornar-se uma versão “paga” do Conselho de Segurança da ONU.
Hoje à tarde, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, justificou perante os deputados a decisão do Governo de Itália de participar na quinta-feira, em Washington, na reunião inaugural deste órgão.
“O Governo considerou oportuno aceitar o convite da administração americana para estar presente, na qualidade de país observador, na primeira reunião do Conselho de Paz, prevista para quinta-feira, em Washington”, explicou.
“Entre a Itália e os Estados Unidos, as relações sempre foram muito fortes, independentemente da administração em vigor”, argumentou o chefe da diplomacia italiana.
“É por isso que a ausência da Itália num fórum onde se discute a paz, a segurança e a estabilidade no Mediterrâneo seria não só politicamente incompreensível, mas também contrária à letra e ao espírito do artigo 11.º da nossa Constituição, que consagra a recusa da guerra como meio de resolução de litígios”, acrescentou Tajani.
À semelhança de outros países europeus, a Itália foi convidada a aderir ao Conselho de Paz de Donald Trump aquando da sua criação em janeiro, mas Giorgia Meloni, ideologicamente próxima do Presidente norte-americano, indicou que essa participação colocaria problemas de ordem constitucional.
No seio dos países da União Europeia (UE), vários países recusaram o convite de adesão, como foi o caso de França, Espanha ou Suécia.
Apenas dois países da UE — Hungria e Bulgária — são membros do Conselho.
Portugal, também convidado a aderir, reconhece que o organismo “é perfeitamente enquadrável” sob uma condição: cingir-se ao conflito israelo-palestiniano.
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