Em Algueirão-Mem Martins, no concelho de Sintra, André Ventura fez uma arruada sob chuva miúda, com poucas dezenas de apoiantes, onde manifestou confiança de ganhar na sua terra, apesar de na primeira volta o candidato António José Seguro ter ficado cerca de cinco pontos percentuais acima do presidente do Chega.
“As pessoas de Mem Martins sabem que é preciso fazer esta mudança e tenho a certeza que agora vou conseguir ser o candidato vencedor em Mem Martins”, vincou, acreditando que, com um único candidato “à direita”, será mais fácil ficar à frente naquela freguesia, onde o Chega ficou em primeiro lugar nas legislativas de 2025.
A juntar a essa confiança de um bom resultado na segunda volta, André Ventura apontou para o debate televisivo entre os dois candidatos que decorreu na terça-feira, como um momento clarificador deste sufrágio.
Para o candidato, “ficou muito claro” para “as pessoas que vivem em terras como esta – grandes subúrbios do país – com grandes dificuldades na insegurança, na imigração, pessoas que vivem com poucos rendimentos para lidar com o seu dia-a-dia, que não se pode confiar em António José Seguro”.
Neste primeiro dia de campanha oficial da segunda volta das eleições presidenciais, Ventura reiterou que o seu adversário “não tem ideias de nada” e entendeu que, neste momento, “as pessoas querem uma mudança”.
O candidato apoiado pelo Chega continuou a acusar Seguro de ser “o rosto do sistema político hoje em Portugal”, considerando que o debate foi uma “separação de águas muito evidente” entre os dois — um que “quer manter tudo igual e outro que não quer”, disse.
“Agora só há duas pessoas em disputa, não há confusão nenhuma”, afirmou aos jornalistas André Ventura, enquanto calcorreava algumas ruas de Mem Martins, terra que diz ser “a expressão” da pessoa que é e da vida política que acabou por seguir.
Para o candidato presidencial, Sintra é um concelho onde há “um conjunto de pessoas que são tratadas como cidadãos de segunda” e que se sentem abandonados, acreditando ser “a voz desse ressentimento contra o Estado central”.
Pela arruada, ainda se cruzou com quem se lembrasse de André Ventura antes da atividade política, em interações breves.
Quase no fim do percurso, passou por um barbeiro cujo nome fez o candidato parar.
“Xeque-mate! É isto que vai acontecer. Até venho aqui cortar o cabelo depois de ganhar as eleições”, disse.
JGA // JPS
Lusa/Fim