Numa conferência de imprensa, Raphael Balland adiantou que, durante a detenção, o jovem, que frequenta o 9.º ano, reconheceu os factos e explicou que “queria vingar-se porque temia ser expulso”, após vários incidentes que o envolveram, sobretudo com esta professora de Artes Plásticas.
O estado de saúde da docente, de 60 anos, “continua preocupante”, com os médicos a manterem “reservas quanto ao prognóstico vital”, acrescentou Balland, lembrando que a vítima sofreu vários golpes de faca, nomeadamente no abdómen.
O ataque ocorreu na escola La Guicharde, onde a docente leciona há 28 anos, localidade costeira da região de Provença-Alpes-Costa Azul, próxima da cidade de Toulon, no sudeste de França.
Durante a detenção, o jovem de 14 anos, que completará 15 dentro de um mês, “reconheceu imediatamente ser o autor das quatro feridas infligidas à vítima com uma faca”, durante uma pausa na aula, indicou Balland.
O aluno levou a faca de casa nessa manhã com a intenção de esfaquear, por ter “demasiado ódio”, considerando que a professora de Artes Plásticas “tinha sido injusta com ele ao assinalar vários incidentes disciplinares” nas últimas semanas, referiu o procurador.
Alguns dias antes, o adolescente tinha pesquisado na Internet os “riscos judiciais incorridos por um menor que matasse a sua professora”.
Nesta fase da investigação, traça-se o perfil de um jovem adepto de videojogos, que diz jogar “não mais do que uma a duas horas por dia”, e que possui no quarto várias armas brancas, por considerar que isso “é estiloso”. O adolescente, que não pratica qualquer religião, vive num contexto familiar complicado.
Um juiz do tribunal de menores já tinha ordenado medidas de apoio educativo, após “sinalizações relativas a violências que teriam sido cometidas pelos pais apenas contra a irmã mais nova”, com prescrição de terapia familiar.
Sendo menor de 16 anos, caso venha a ser julgado por estes factos, arrisca uma pena máxima de 20 anos de prisão, e não prisão perpétua.
Esta nova agressão com faca num estabelecimento de ensino chocou a comunidade educativa, suscitando uma vaga de reações e pedidos de medidas que não sejam apenas de segurança.
Em fevereiro de 2025, o Governo tinha indicado que as sinalizações de armas brancas em estabelecimentos de ensino tinham aumentado 15% num ano.
Na altura, foram implementados controlos aleatórios de mochilas nas imediações de colégios e liceus. Entre março e dezembro, 12.000 controlos permitiram a apreensão de 525 armas brancas, disse o Ministério da Educação francês.
Outra via apontada para reduzir a violência passa por proibir o acesso às redes sociais a menores de 15 anos, medida que foi objeto de uma proposta de lei aprovada no final de janeiro na Assembleia Nacional.
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